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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O vício insanável da amizade

Modernamente na política vivemos uma total inversão de valores na qual os representantes do povo não atuam mais em favor de seus concidadãos e sim em defesa dos interesses da classe - um corporativismo pernicioso que não respeita a lei e passa por cima de qualquer norma ou regra que prejudique, de alguma maneira, o mandato ou os negócios de seus asseclas. Isso acontece nas diversas instâncias do poder, que não é mais exercido para o bem de muitos, no máximo para satisfazer os poucos que fazem parte da confraria - os amigos.

Temos acompanhado, há anos, esse comportamento que agride a sociedade e agora parece atingir o seu ápice, com a eleição do deputado Edmar Moreira (o dono do castelo) para a segunda vice-presidência da Câmara dos Deputados. Armação bem engendrada já que esse cargo também lhe atribui as funções de corregedor-geral - aquele que é responsável por julgar o "comportamento" de seus pares, o guardião do decoro parlamentar.

Após uma enxurrada de duras críticas, o plenário da Câmara deve votar na terça-feira, 10, em regime de urgência, projeto de resolução que tira do segundo vice-presidente da Câmara, deputado Edmar Moreira (DEM-MG), a função de corregedor-geral da Casa. A acusação? Logo depois de eleito, Edmar declarou que não encaminharia ao Conselho de Ética nenhum processo de cassação contra os colegas que, por ventura, viessem a quebrar o decoro parlamentar. A prosaica justificativa para a decisão: "Temos o vício insanável da amizade."

Foi por causa desse "vício insanável da amizade" que Edmar Moreira conseguiu passar a perna no candidato oficial do DEM para a segunda vice-presidência, deputado Vic Pires Franco (PA), e ganhar o voto dos colegas. Durante todo o processo do mensalão - o maior escândalo do primeiro governo do presidente Lula, ocorrido em 2005, em que parlamentares da base governista teriam votado a favor de interesses do Palácio do Planalto em troca de um pagamento mensal, em dinheiro - Edmar Moreira defendeu os colegas acusados de quebra de decoro parlamentar.

É ver para crer. O inacreditável não se cansa de aliar-se ao inaceitável para emboscar o interesse público. O que ainda precisa acontecer para que nos livremos desses canalhas?

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