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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Caixa-preta

Embora o Brasil seja um país tropical (abençoado por Deus e bonito por natureza...) banhado pelo sol o ano inteiro, temos um problema crônico e recorrente de escuridão no que diz respeito à transparência das ações e atitudes da sociedade, principalmente dos agentes que a representam nas instâncias do poder público.

Não há dia em que não se estampem na mídia casos de corrupção, malversação dos recursos públicos e uma infinidade de situações que depõem contra o uso do poder político para gerar o bem comum. Os instrumentos de fiscalização e controle existem, mas são ignorados, porque a sociedade civil, amorfa, acrítica, estática e impassível, não tem interesse em acioná-los. Só os movimenta quando a mídia resolve discutir o problema.

Caso emblemático foi a recente eleição do deputado Edmar Moreira para a segunda vice-presidência da Câmara dos Deputados, assumindo, também, a corregedoria da instituição. Suas falcatruas só vieram à tona porque os colegas, unidos, movidos pelo "vício insanável da amizade" rechaçaram o candidato oficial, Vic Pires. Em uma semana, Edmar foi colocado no seu devido lugar, tal a enxurrada de denúncias de que foi alvo. Basta dizer que todas se confirmaram...Agora o deputado-castelão, destituído dos cargos, procura até outro partido que lhe dê guarida...

Voltando ao caso da caixa-preta e da necessidade de transparência, não precisamos ir tão longe. Em Santiago ocorrem situações similares que comprovam a falta de interesse das instituições em discuti-las com a sociedade - a mudança do Foro para local distante do centro da cidade; a má-gestão que ocasionou a situação falimentar da Cooperativa Tríticola; o possível fechamento da Vara do Trabalho, transformada em simples posto; e até mesmo os gastos do Executivo com eventos e criação de logomarcas da Administração - demonstram que transparência não é artigo de primeira necessidade entre nós, quando deveria ser o item número um da lista.

De igual maneira, os assuntos em questão só se tornaram de domínio público quando a imprensa resolveu discuti-los, provocando a manifestação dos responsáveis. Só há reação quando há provocação, porque vige, ainda, o princípio de que informar, discutir, prestar contas, esclarecer, não é prioridade. Isso gera desconfiança e perda de credibilidade, contribuindo para que as instituições fiquem cada vez mais desacreditadas e a sociedade se quede em inoperância cada vez mais acentuada.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto, claro e conciso, mas aborda, com propriedade, questões que merecem aprofundamento e investigação pelos órgãos controladores e fiscalizadores - MPs, Tribunais de Contas, poderes legislativos e da própria imprensa. Na nossa terra, além da logomarca, outras questões requerem transparência: bola para o futuro, contratações de serviços, licitações dirigidas, notas frias, etc.