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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Edgar Alan Poe, 200

Excelente artigo de Carlos André Moreira na ZH Cultura de sábado (24) comenta o bicentenário de nascimento de Edgar Alan Poe. O filho mais ilustre de Boston - poeta, contista e ensaísta - continua vivo pelo impacto de sua obra, sempre revisitada e reinterpretada pelas gerações que se sucedem.
Nos seus 40 anos de vida (1809-1849) Poe produziu poesia, contos, crítica literária, foi jornalista e sua imaginação criativa foi tão profícua que ainda hoje influencia diferentes gêneros literários, como o comercialmente bem-sucedido policial ou as áridas paisagens intelectuais da reflexão estética. Sua peça mais conhecida é o poema O Corvo, publicado pela primeira vez em 1845.

Vejam como é interessante a tradução da primeira estrofe de The Raven nas versões em português propostas por Machado de Assis, Fernando Pessoa e Oscar Mendes (a do último é considerada a melhor...)
Por Edgar Alan Poe:

"Once upon a midnigth dreary,
While I pondered, weak and weary,/
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,/
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,/
As of some one gently rapping,
rapping at my chamber door -/
"Tis some visitor", I muttered, "tapping at my chamber door -/
- Only this and nothing more."

Por Machado de Assis:

Em certo dia, à hora , à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,/
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,/
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,/
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;/
Há de ser isso e nada mais."

Por Fernando Pessoa:

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,/
E já quase adormecia, ouvi o que parecia/
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais./
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais./
É só isto, e nada mais."

Por Oscar Mendes:

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,/
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,/
e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,/
tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar./
"É alguém - fiquei a murmurar
- que bate à minha porta, devagar;
sim, é só isso e nada mais."

3 comentários:

Froilam de Oliveira disse...

Você fez o que eu havia pensado no sábado: postar sobre a matéria publicada no caderno Cultura (ZH).
Abç

Rúbida Rosa disse...

A poesia depois de passada para o papel deixa de ser de quem a criou e passa a ser reinventada pelo leitor. Interessante os três exemplos, que apesar de serem tradução do mesmo trecho poético, adquiriram diferentes formas.

Pedro Luso de Carvalho disse...

Também sou um admirador do Edgar Allan Poe, tanto de sua poesia - tão bem representada pelo seu poema O CORVO, que teve duas excelentes traduções para o nosso idioma,uma delas por Machado de Assis e a outra por Fernando Pessoa - como por sua obra de ficção, com seus espantosos contos. No Brasil a Editora civilização Brasileira publicou sua ANTOLOGIA DE CONTOS, em 1959. Trata-se, pois, de uma obra rara.

Abraços.