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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A revisão da revisão

A Academia Brasileira de Letras lançou, em novembro, a 1ª edição do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, em que fixava a ortografia correta das palavras à luz do Acordo celebrado com os países de língua portuguesa. Pois bem, conforme a 1ª edição, no texto abaixo, as palavras em negrito seriam grafadas assim:

Beribéri & chá da índia (1)

De forma abrupta, nada elegante, ele caminhou pela ante-sala e anunciou, muito constrangido, que estava com beribéri.
- Vai ver que é porque você toma muito chá da índia. Co-herdou esse vício terrível, juntamente com sua mãe, dos antepassados ingleses, disse a moça, abalada.
- Você é muito cricri. Vá cricrilar em outro lugar! Suma daqui e leve todos os seus frufrus! Parece uma perua. Espalhafatosa! Gluglu!!!
- Hãhã. Já estou saindo. Já vou tarde! Deixo você aqui, sozinho, com os seus quilohertz, ou melhor, megahertz, ou melhor ainda, gigahertz de intolerância...
- Nhenhenhém. Horrorosa!
- Calma! Pense um pouquinho, não posso deixá-lo sozinho, acompanhado apenas de seu beribéri. Vamos re-escrever a nossa história. Re-editá-la. Um pouco de re-engenharia no espírito não faz mal a ninguém. Vamos fazer um re-escalonamento de nossas prioridades daqui pra frente. Tolerância é fundamental nessa hora.
- Certo. Chega desse tititi. Estou cansado.
- Vamos brindar à amizade que nos une com chá da índia! Olha o relógio! São exatamente cinco horas. Tiquetaque, tiquetaque!
- Beleza! Tintim!

Pasmem! Já foi lançada a 2ª edição do dicionário em questão, que chega às bancas no dia 12 de fevereiro, definindo grafia diferente para muitos vocábulos que apareciam na 1ª edição, especificamente quanto ao uso do hífen.
Com a correção proposta pela Academia, leia novamente o texto:

Beri-béri & chá-da-índia (2)

De forma ab-rupta, nada elegante, ele caminhou pela antessala e anunciou, muito constrangido, que estava com beri-béri.
- Vai ver que é porque você toma muito chá-da-índia. Coerdou esse vício terrível , juntamente com sua mãe, dos antepassados ingleses, disse a moça, abalada.
- Você é muito cri-cri.cri-crilar em outro lugar! Suma daqui e leve todos os seus fru-frus! Parece uma perua. Espalhafatosa! Glu-glu!!!
- Hã-hã. Já estou saindo. Já vou tarde! Deixo você aqui, sozinho, com os seus quilo-hertz, ou melhor, mega-hertz, ou melhor ainda, giga-hertz de intolerância...
- Nhem-nhem-nhém. Horrorosa!
Calma! Pense um pouquinho, não posso deixá-lo sozinho, acompanhado apenas de seu beri-béri. Vamos reescrever a nossa história. Reeditá-la. Um pouco de reengenharia no espírito não faz mal a ninguém. Vamos fazer um reescalonamento de nossas prioridades daqui pra frente. Tolerância é fundamental nessa hora.
- Certo. Chega desse ti-ti-ti. Estou cansado.
- Vamos brindar à amizade que nos une com chá-da-índia! Olha o relógio! São exatamente cinco horas! Tique-taque, tique-taque!
- Beleza! Tim-tim!

A explicação da ABL para a correção dos vocábulos na 2ª edição é que o lançamento do dicionário ocorreu sem que houvesse orientação definitiva sobre as normas. As diferenças da primeira para a segunda edição do dicionário ocorrem, especificamente, na questão do uso do hífen, que responde pela maior parte das dúvidas. Palavras com os prefixos "pre" e "re", segundo o novo dicionário, devem ser grafadas sem hífen, como reeditar e preencher, que já estavam consagradas na escrita sem a separação, mas na primeira edição do dicionário apareciam com hífen.

Outra dúvida que o dicionário esclarece é a grafia da palavra "abrupto", destacando que, apesar das duas formas estarem corretas, deve-se preferir "ab-rupto" (Pode?)

Embora a ABL tenha confirmado que as palavras grafadas na segunda edição do dicionário estão no VOLP, alguns termos permanecem gerando dúvidas. Na palavra "co-herdeiro" há contradição. O novo dicionário identifica como correta a grafia "coerdeiro", mas o texto do acordo determina que se escreva com hífen e "h", como antes da reforma. Para especialistas isso indica que outras discrepâncias precisam ser corrigidas.

O professor Cláudio Moreno acredita que as diferenças entre dicionários e o texto da reforma mostram que as regras precisam de mais tempo para serem definidas e implementadas. A afobação só tem atrapalhado e constrangido os usuários da língua. Embora o acordo tenha sido assinado por todos os países lusófonos - Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - a ABL confirma que as palavras questionáveis não foram discutidas com as outras nações, mas estão valendo no Brasil.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Nivia
Gostei da explanação do chá da india.
Sei lá se vai maiuscula com acento ou não,com hifen ou sem,com virgula ou sem ,este paragrafo.
O que sei que escrever e ler em ingles é bem mais acessivel que as regras do portugues ruim.

Arhur D.Viero

Jorge Bitencourt disse...

Obama não vai estabelecer uma nova ordem mundial, pois a economia, o dinheiro, há muito comanda a política dos ditos países desenvolvidos. Se for inteligente como seus assessores alimentam o marketing do negro pobre bem-sucedido, contratará alguém com o perfil do presidente do Banco Central do Brasil, na gestão FFHHCC, aquele com cara de raposa, auxiliar do maior especulador financeiro do planeta. Mas, deu certo. Lula ainda colhe as benesses. Ou então, que venha uma megacrise, pois os exploradores merecem passar por maus bocados. Os operários já estão acostumados com migalhas, lá e aqui.