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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Três jornais gaúchos estão entre os dez mais lidos no Brasil

Pesquisa do IVC (Instituto Verificador de Circulação) aponta que a circulação de jornais no Brasil cresceu 5% em 2008, com média de 4.351.400 milhões de exemplares por dia (em 2007 a média foi de 4.144.149).

O levantamento realizado pelo IVC mostra que a briga por posições no ranking de circulação é bastante acirrada entre os jornais diários. As participações de mercado são muito próximas e, de um ano para outro, os veículos alternam posições.

Apesar do resultado positivo, o desempenho dos jornais afiliados ao IVC não foi tão expressivo. Em 2007 o crescimento foi de 11,8% e, em 2006, de 6,5%.

O ranking dos jornais diários com maior circulação no Brasil:

1º Folha de S. Paulo
2º Super Notícia
3º Extra
4º O Globo
5º O Estado de S. Paulo
6º Meia Hora
Zero Hora
Diário Gaúcho
Correio do Povo
10º Lance!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A revisão da revisão

A Academia Brasileira de Letras lançou, em novembro, a 1ª edição do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, em que fixava a ortografia correta das palavras à luz do Acordo celebrado com os países de língua portuguesa. Pois bem, conforme a 1ª edição, no texto abaixo, as palavras em negrito seriam grafadas assim:

Beribéri & chá da índia (1)

De forma abrupta, nada elegante, ele caminhou pela ante-sala e anunciou, muito constrangido, que estava com beribéri.
- Vai ver que é porque você toma muito chá da índia. Co-herdou esse vício terrível, juntamente com sua mãe, dos antepassados ingleses, disse a moça, abalada.
- Você é muito cricri. Vá cricrilar em outro lugar! Suma daqui e leve todos os seus frufrus! Parece uma perua. Espalhafatosa! Gluglu!!!
- Hãhã. Já estou saindo. Já vou tarde! Deixo você aqui, sozinho, com os seus quilohertz, ou melhor, megahertz, ou melhor ainda, gigahertz de intolerância...
- Nhenhenhém. Horrorosa!
- Calma! Pense um pouquinho, não posso deixá-lo sozinho, acompanhado apenas de seu beribéri. Vamos re-escrever a nossa história. Re-editá-la. Um pouco de re-engenharia no espírito não faz mal a ninguém. Vamos fazer um re-escalonamento de nossas prioridades daqui pra frente. Tolerância é fundamental nessa hora.
- Certo. Chega desse tititi. Estou cansado.
- Vamos brindar à amizade que nos une com chá da índia! Olha o relógio! São exatamente cinco horas. Tiquetaque, tiquetaque!
- Beleza! Tintim!

Pasmem! Já foi lançada a 2ª edição do dicionário em questão, que chega às bancas no dia 12 de fevereiro, definindo grafia diferente para muitos vocábulos que apareciam na 1ª edição, especificamente quanto ao uso do hífen.
Com a correção proposta pela Academia, leia novamente o texto:

Beri-béri & chá-da-índia (2)

De forma ab-rupta, nada elegante, ele caminhou pela antessala e anunciou, muito constrangido, que estava com beri-béri.
- Vai ver que é porque você toma muito chá-da-índia. Coerdou esse vício terrível , juntamente com sua mãe, dos antepassados ingleses, disse a moça, abalada.
- Você é muito cri-cri.cri-crilar em outro lugar! Suma daqui e leve todos os seus fru-frus! Parece uma perua. Espalhafatosa! Glu-glu!!!
- Hã-hã. Já estou saindo. Já vou tarde! Deixo você aqui, sozinho, com os seus quilo-hertz, ou melhor, mega-hertz, ou melhor ainda, giga-hertz de intolerância...
- Nhem-nhem-nhém. Horrorosa!
Calma! Pense um pouquinho, não posso deixá-lo sozinho, acompanhado apenas de seu beri-béri. Vamos reescrever a nossa história. Reeditá-la. Um pouco de reengenharia no espírito não faz mal a ninguém. Vamos fazer um reescalonamento de nossas prioridades daqui pra frente. Tolerância é fundamental nessa hora.
- Certo. Chega desse ti-ti-ti. Estou cansado.
- Vamos brindar à amizade que nos une com chá-da-índia! Olha o relógio! São exatamente cinco horas! Tique-taque, tique-taque!
- Beleza! Tim-tim!

A explicação da ABL para a correção dos vocábulos na 2ª edição é que o lançamento do dicionário ocorreu sem que houvesse orientação definitiva sobre as normas. As diferenças da primeira para a segunda edição do dicionário ocorrem, especificamente, na questão do uso do hífen, que responde pela maior parte das dúvidas. Palavras com os prefixos "pre" e "re", segundo o novo dicionário, devem ser grafadas sem hífen, como reeditar e preencher, que já estavam consagradas na escrita sem a separação, mas na primeira edição do dicionário apareciam com hífen.

Outra dúvida que o dicionário esclarece é a grafia da palavra "abrupto", destacando que, apesar das duas formas estarem corretas, deve-se preferir "ab-rupto" (Pode?)

Embora a ABL tenha confirmado que as palavras grafadas na segunda edição do dicionário estão no VOLP, alguns termos permanecem gerando dúvidas. Na palavra "co-herdeiro" há contradição. O novo dicionário identifica como correta a grafia "coerdeiro", mas o texto do acordo determina que se escreva com hífen e "h", como antes da reforma. Para especialistas isso indica que outras discrepâncias precisam ser corrigidas.

O professor Cláudio Moreno acredita que as diferenças entre dicionários e o texto da reforma mostram que as regras precisam de mais tempo para serem definidas e implementadas. A afobação só tem atrapalhado e constrangido os usuários da língua. Embora o acordo tenha sido assinado por todos os países lusófonos - Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - a ABL confirma que as palavras questionáveis não foram discutidas com as outras nações, mas estão valendo no Brasil.

O imaginário da crise

Do Blog da Lurdete Erthel:

Vale a pena reproduzir uma lista de frases espirituosas e criativas sobre crise, colecionadas pelo publicitário gaúcho Carlos Saul Duque, da
Dez Propaganda:

"Quando a maré baixa é que a gente vê quem tem calças."
Warren Buffet, investidor, filantropo e um dos homens mais ricos do planeta

“Pare de vender o que você tem. Comece a vender o que eles querem.”
Anúncio da IBM
da série “Pare de falar. Comece a fazer.”

“Perguntaram-me o que eu achava da recessão. Pensei a respeito e decidi que não participaria dela.”
Sam Walton (1918-1992), fundador do Wal-Mart, na crise econômica de 1991

“Mude, antes que você seja forçado a isso.”
Jack Welch, lendário executivo da General Electric

“Assim como o caos tumultuado de uma tempestade traz uma chuva nutritiva que permite à vida florir, também nas coisas humanas tempos de progresso são precedidos por tempos de desordem. O sucesso vem para aqueles que conseguem sobreviver à crise.”
I Ching ou Livro das Mutações, texto clássico chinês com mais de 3 mil anos, usado para orientar o futuro

“Se existe tanta crise é porque deve ser um bom negócio.”
Jô Soares, humorista

“A crise de hoje é a piada de amanhã.”
G. Wells, escritor britânico, autor de Guerra dos Mundos

“O Tiradentes devia ser o padroeiro do Brasil. Tá todo mundo com a corda no pescoço!”
José Simão, colunista de humor

“Meu amigo, tire o bumbum da cadeira. Vá ao mercado. Teste as suas hipóteses, converse com os clientes, desenvolva sensibilidades.”
José Galló, diretor-presidente da Lojas Renner

“No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise.”
Dante Alighieri (1265-1321), escritor, poeta e político italiano autor de A Divina Comédia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Edgar Alan Poe, 200

Excelente artigo de Carlos André Moreira na ZH Cultura de sábado (24) comenta o bicentenário de nascimento de Edgar Alan Poe. O filho mais ilustre de Boston - poeta, contista e ensaísta - continua vivo pelo impacto de sua obra, sempre revisitada e reinterpretada pelas gerações que se sucedem.
Nos seus 40 anos de vida (1809-1849) Poe produziu poesia, contos, crítica literária, foi jornalista e sua imaginação criativa foi tão profícua que ainda hoje influencia diferentes gêneros literários, como o comercialmente bem-sucedido policial ou as áridas paisagens intelectuais da reflexão estética. Sua peça mais conhecida é o poema O Corvo, publicado pela primeira vez em 1845.

Vejam como é interessante a tradução da primeira estrofe de The Raven nas versões em português propostas por Machado de Assis, Fernando Pessoa e Oscar Mendes (a do último é considerada a melhor...)
Por Edgar Alan Poe:

"Once upon a midnigth dreary,
While I pondered, weak and weary,/
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,/
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,/
As of some one gently rapping,
rapping at my chamber door -/
"Tis some visitor", I muttered, "tapping at my chamber door -/
- Only this and nothing more."

Por Machado de Assis:

Em certo dia, à hora , à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,/
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,/
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,/
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;/
Há de ser isso e nada mais."

Por Fernando Pessoa:

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,/
E já quase adormecia, ouvi o que parecia/
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais./
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais./
É só isto, e nada mais."

Por Oscar Mendes:

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,/
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,/
e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,/
tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar./
"É alguém - fiquei a murmurar
- que bate à minha porta, devagar;
sim, é só isso e nada mais."

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Obamatalá!

Barack Obama já é o 44° presidente dos Estados Unidos e, certamente, o homem que mais tem depositadas em si as esperanças do planeta. Em suas mãos está a possibilidade de uma nova ordem mundial. Tanto social como econômica. Espero que demonstre no exercício do poder a mesma energia, talento, coragem e ousadia que o levaram a vencer as eleições. E que não esqueça de seus compromissos para com aqueles a quem conquistou, dentro e fora dos Estados Unidos. Agora não bastam promessas. É hora de ação.

Apreciei a crônica de Moacyr Scliar, publicada ontem, 20, em ZH, onde comenta que para muita gente Obama tornou-se um espécie de salvador, lembrando o messiânico Godot, da peça teatral Esperando Godot, de Samuel Beckett - onde dois personagens, Vladimir e Estragon, vivem à espera de alguém chamado Godot, em quem depositam todas as suas expectativas e esperanças. Só que Godot nunca aparece... Tive a oportunidade de assistir a peça, em Santa Maria, quando ainda era estudante, em montagem protagonizada por Paulo Autran e Eva Wilma (divina, fazendo papel masculino!).

Pois é, espero que Obama não seja Godot...Bem sei que não é Papai Noel, mas é um homem que agora tem enorme poder e o raro carisma dos grandes líderes. Propôs parceria ao seu povo, repetindo, à exaustão, Yes, we can! A soma dos dias de seu mandato vai comprovar se, realmente, nós podemos acreditar nele.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Reforma Ortográfica

O acordo celebrado pelos países de língua portuguesa criou polêmicas e principalmente inseguranças por um pequeno (ou grande) problema - os linguistas esqueceram da complexidade da língua, das muitas exceções que ela possui... Assim, as regras não ficam claras e permitem confusões. Imaginem só, se para quem conhece já é difícil, para aqueles que não se preocupam muito com a ortografia ou têm deficiência advinda de alfabetização é um caos. Porém, lei é lei e regra é regra. Cabe-nos cumpri-las, desde que a lei e a regra sejam claras.

Comenta o sempre ácido Reinaldo Azevedo, em seu blog, que na Folha de São Paulo de hoje há uma excelente reportagem de Luiza Alcantara e Fábio Takahashi que dá conta do ridículo a se submeteram os "reformadores" (grifo dele) da língua ao "esquecerem" de enquadrar alguns vocábulos nas novas regras.

Eis alguns exemplos, segundo a Folha: "Re-editar" ou "reeditar"? "Coabitar" ou "co-habitar"? As principais dúvidas que o texto do Acordo Ortográfico, em vigor desde o dia 1º, havia deixado foram esclarecidas pela publicação da segunda edição do dicionário da ABL (Academia Brasileira de Letras), que começou a ser distribuído ontem nas livrarias. O "Dicionário Escolar da Língua Portuguesa", editado pela Companhia Editora Nacional, tem 1.311 páginas e cerca de 33 mil verbetes. "O que está no dicionário vai ser adotado pelo Volp [“ Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa"], diz Evanildo Bechara, membro da ABL e da comissão de língua portuguesa do Ministério da Educação que trata do Acordo. Volp é o documento que registra a grafia oficial das palavras. A nova versão, com cerca de 370 mil palavras da língua portuguesa, será publicada até o início de março."

Bechara alcançou, finalmente, a celebridade. É uma pena que seja este lastimável acordo o motivo. Tanta lambança se fez na língua para, no fim das contas, optar-se, como se verá, pelo arbítrio. As principais dúvidas que o dicionário esclarece são em relação ao uso do hífen. De acordo com Bechara, o Acordo não tratava dos prefixos "re", "pre" e "pro" por "esquecimento".

Palavras com esses prefixos, segundo o novo dicionário, devem ser grafadas sem hífen, como "reeditar" e "preencher" - e não "re-editar" e "pre-encher", como interpretaram alguns estudiosos no Acordo. Embora o Acordo tenha sido assinado por todos os países lusófonos - menos Timor Leste, que deve assiná-lo brevemente, a ABL afirma que as palavras que geraram dúvidas não foram discutidas com as outras nações. Mas estão valendo no Brasil assim mesmo. "O Acordo diz que duas vogais têm que estar separadas por hífen, mas se esqueceu do [prefixo] "re". Teria que estar separado, mas isso se choca com a tradição lexicográfica, tanto em dicionários brasileiros como em portugueses", diz Bechara. "Se o Acordo quisesse contrariar essa tradição, teria sido explícito, o que não ocorreu. Logo, a conclusão é a de que houve um esquecimento."

E prossegue Reinaldo, em sua crítica peculiar: "Ah¸ bom! Então se muda a regra, mas, em alguns casos, fica-se com a tradição lexicográfica. Mais ainda: o Brasil decide para os brasileiros o que não foi debatido com os outros países. Entendi. Os portugueses, que odiaram algumas mudanças, já podem apelar à “tradição lexicográfica” para não aderir. E vejam que mimo: essa porcaria está em debate desde o governo Sarney, mas os çábios simplesmente esqueceram de algumas palavras ao criar suas regras.

Continuemos seguindo a reportagem da Folha de São Paulo: A tradição é um dos princípios do Acordo, segundo a ABL. O quarto e último princípio geral afirma que o Acordo deve: "Preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo". "O texto do Acordo é curto, não ia abranger as mais de 300 mil palavras que há no Volp", afirma Bechara.

E lasca Reinaldo: "Prestem bem atenção ao que vai em negrito. Será importante mais abaixo. Outra dúvida que o dicionário esclarece é a grafia da palavra "abrupto". O dicionário diz: "Ab-rupto" é preferível a "abrupto'" - ou seja, as duas formas são consideradas corretas, mas o ideal é usar a hifenizada. Para Bechara, "ab-rupto" não deve causar estranhamento". As escolas devem priorizar a forma com hífen, disse. Por que, então, o “abrupto” não pode se manter como é em nome da “preservação da tradição ortográfica refletida nos formulários etc.? O “ab-rupto” é de tal sorte ridículo, que decidiram deixar para a livre escolha do vivente. Imagine-se, leitor, a escrever “Abriu a porta ab-ruptamente”. Ou ainda: “Tomou-a ab-ruptamente nos braços e...” Bem, quem faz isso não pode dar um beijo na moça, né? Um “ab-rupto”, no máximo, dá beliscões e pisadelas..."

E a Folha continua: "Outro ponto questionável do Acordo que o dicionário esclarece é o caso da acentuação em palavras como "destróier". "O Acordo diz que paroxítonas com ditongos abertos, como "ei" e "oi", perdem o acento. É uma regra específica, mas esqueceu que tem paroxítonas com esses ditongos que terminam em "r", que são obrigatoriamente acentuadas. Como "destróier". Essa regra se choca com a regra específica, mas, entre a regra específica e a geral, ficamos com a geral. Então, o acento continua nessas palavras."

Reinaldo dá o troco: "Ah, bom... Mas ainda há um ponto que causa confusão: "co-herdeiro" ficou grafada como "coerdeiro" no dicionário, embora no Acordo a indicação fosse para escrever "co-herdeiro". A Folha tentou falar com a ABL ontem à noite, mas ninguém foi localizado para comentar o caso. Estavam se empanturrando com chá & bobagens... "Coerdeiro"? Se decidirem por isso, nessa palavra ao menos, hei de me declarar em desobediência civil. Como diria aquele professor da USP que acha o terrorismo criativo, praticarei atentados escrevendo "co-herdeiro", "co-herdeiro", "co-herdeiro"...

Os interessados em consultar o dicionário devem ficar bastante atentos: os verbetes considerados corretos e esclarecedores aparecem apenas na segunda edição da obra. A primeira, com 15 mil exemplares (já vendidos), foi publicada com verbetes errados. O problema é que não há na capa selo ou identificação que diferencie as edições – isso ocorre apenas na primeira página, onde está escrito "2ª edição". E o Ministério Público não vai entrar na parada para tornar obrigatória a troca da estrovenga, sem custo para quem foi enganado na primeira edição? Quem comprou a primeira edição deve encontrar a partir de hoje os verbetes que saíram incorretos corrigidos no site da empresa (www.editoranacional.com.br). Caso não esteja no ar, o consumidor pode entrar em contato pelo telefone 0/xx/11/2799-7799 ou pelo e-mail (
atendimento@editoranacional.com.br). Bando de prepotentes trapalhões."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Desejo que desejes


Belo texto de Martha Medeiros:


"Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.
Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.
Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.
Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja a convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.
Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível pra essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, aplausos, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo antes de tudo que desejes, simplesmente."
Também desejo que desejes isso e muito mais...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Receita de Ano Novo


cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade, Jornal do Brasil, dez 1997