Acompanhando Interface Ativa!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ares de primavera?

Agitação total na blogosfera santiaguense! Talvez sejam os ares da primavera, que fazem o sangue correr mais rápido, preparando seus integrantes para o estio. Bom presságio! Feliz deve estar o Froilam, nosso mestre, que aguardava maior interação entre os blogs de Santiago. Chegou a ensaiar um estudo para a sua monografia da pós-graduação em Leitura e Produção Textual sobre os traços de literariedade em comentários postados nos blogs de Santiago. Abortou-o pela escassez de material... Agora, Froilam, ao que tudo indica, o estudo pode vingar, se a produção avançar num sentido que permita a investigação!

Pois bem, o estopim da efervescência foi um artigo de Dayana Leite, postado no Blog de Vulmar Leite, referindo que é avessa a autobiografias, considerando que tais obras carecem de valor literário. Opinião. Pura e simples. Clara. Não percebi intenção de agredir ninguém. Um artigo que exprime opinião precisa, necessariamente, ser firme na defesa de posição. Se não, perde a graça. Ah, se a Dayana soubesse o bem que fez! Provocou a ira dos deuses - uns dispostos a proteger a sua obra (como se houvesse navalha ou flecha certeira embutida na palavra), outros a defenderem os amigos autores. Falo em bem-feito porque considero a discussão de idéias, conceitos, opiniões, atitudes, procedimentos um exercício muito saudável, que não pode ser cerceado. Afinal, em que democracia estamos? Só vale o que eu penso, o que eu faço e o que me agrada?

Tanto não pode ser barrada a livre manifestação do pensamento que também vou opinar. Não tenho nada contra autobiografias, embora não sejam o meu gênero preferido de leitura. Já li algumas. Umas excelentes, outras nem tanto. A maioria, insípida, sem graça ou animação, comprometida, apenas, com a autolouvação do sujeito que conta a sua sina ou a sua trajetória de sucesso. Creio que são mais interessantes as memórias, também autobiografias cuja diferença se prende ao conteúdo real. Em linhas gerais, a autobiografia é mais abrangente, percorrendo toda a vida da pessoa, de sua infância até a época em que a obra foi escrita. O enredo na maioria das vezes desenrola-se de maneira linear, cobrindo a maior parte dos principais eventos pelo caminho. Mais raramente a história se adianta e recua no tempo, tocando uma variedade de assuntos que a pessoa decide comentar.

Por outro lado, as memórias via de regra concentram-se numa parte especial da vida de uma pessoa ou em um tema específico. Em alguns casos, os eventos podem desdobrar-se por todo o curso da vida da pessoa, porém são transmitidos com referência a algum ponto central. Gostei de ler Solo de Clarineta, as memórias de Erico Verissimo; Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos; por outro lado, apreciei conhecer Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais, biografia do controverso Assis Chateaubriand. Aliás, Fernando Morais é um biógrafo profissional que não exita em "criar" fatos. Diz-se que na próxima biografia a ser lançada, O Mago - A Extraordinária História de Paulo Coelho, Morais "inventou" depoimento de Umberto Eco acerca do seu livro preferido de Paulo Coelho - Veronika decide morrer. Eco, consultado, mencionou apenas que lera um trecho da obra. O próximo título do gênero que está sendo preparado por Fernando Morais será As sete mortes de Antônio Carlos Magalhães, o painho dos baianos. Confesso que não li, mas vou ler Confesso que vivi, de Pablo Neruda (generosamente sugerido por Froilam de Oliveira) e a história de Barack Obama, A origem dos meus sonhos - afinal, ele é o depositário dos sonhos e das esperanças de grande parte da humanidade. Precisamos conhecer um pouco do que ele pensa, se bem que seus atos futuros vão determinar a qualidade de suas intenções.

Voltando ao princípio, creio que o imbróglio não originou-se da opinião de Dayana acerca das biografias, antes foi um reavivamento de antiga polêmica existente entre Vulmar Leite e João Lemes, já que o diretor do jornal Expresso Ilustrado dedicou diversas páginas de sua obra lançada em maio último - João Lemes, 20 anos de jornalismo - Autobiografia de um autodidata, reportando fatos que, a seu ver, prejudicaram o seu jornal. Dayana apenas publicou artigo no Blog do seu pai! Menciona, posteriormente, a articulista, sequer ter lido o livro.

Sobre os fatos que construíram a polêmica mencionada, o ex-prefeito Vulmar Leite já anunciou que brevemente vai confrontá-los. Acho ótimo. Urge o contraponto, até para o conhecimento dos mais jovens que, na época, devido à tenra idade, não dedicavam seu interesse à questão política. Falo desses episódios com a maior tranqüilidade porque, além de ser testemunha ocular (era chefe de gabinete do prefeito Vulmar), fui eu quem produziu a maior parte dos documentos para pedidos de resposta, publicações, ofícios, etc, acompanhando e fazendo parte de toda a situação. O prefeito agiu na defesa dos interesses do Município e quando foi atacado, em sua honra, procurou o fórum adequado para a questão, obtendo êxito em sua demanda. Foi produzida justiça, embora os envolvidos não aceitem isso até hoje. Aí reside a celeuma. Com o passar do tempo, talvez a maturidade produza seus efeitos benéficos. Como profissional do jornalismo, acho absolutamente normal que demandas sejam resolvidas na Justiça. Acontece todo dia, em todos os lugares. Por que aqui seria diferente?

Enfim, também tenho o livro de João Lemes autografado. Fiz questão de ir à cerimônia do lançamento. Nem sempre concordo com ele; disse isso em postagem, na época, mas o respeito e ele pode dizer e fazer o que quiser. Liberdade de expressão existe exatamente para isso. Isso vale para o João, para a Dayana, para o Júlio Prates, para o Froilam, para o Márcio Brasil, para o Tuca Maia (conheço? conheço, mesmo que se esconda no pseudônimo!), para o Vulmar, para mim e para o mundo.

4 comentários:

Márcio Brasil disse...

Eu tava quietinho no meu canto. Ai, de mim...

Anônimo disse...

muito boa suas colocações, apenas um registro a fazer: para mim, a obra Chatô não se qualificaria como autobiografia, mas biografia, já que escrita por Fernando Morais.

Jornalista Jorge Bitencourt disse...

Colega real de profissão, jornalista Nivia Andres, concordo em gênero e número com você a respeito de toda essa ladainha, que felizmente não serve como marketing para vender livro inoperante, fora do ar e sem futuro. Porém, não cometa crimes contra a lingua-mãe. Jornalista é profissional diplomado, com Nível Superior, abaixo, jornalista provisionado - isso é o que são, ou seja, não são nada, imagina escritores autodidatas - particularmente adoro essa postura micropolitana e recheada de abortos de passarinhos, pois faço delas, exercício de imensas gargalhadas.
Beijão colega. Jorge Bitencourt

João Lemes disse...

Cara Nívea:
Obrigado pela sinceridade que lhe é peculiar ao falar a meu respeito. Não retiro (quase) nada do que disseste, a não ser quando expressa que não aceitei o fato do Vulmar ter entrado na Justiça, à época. Se ler bem em meu livro, verás que admito o erro cometido em um título de matéria. De mais a mais, a cidade inteira sabe que ele foi carrasco conosco, mas não tenho mágoa por isso, como também retratei no livro. Apenas me detive a um tempo e, certamente, não é o de hoje, já que continuo admirando muitas qualidades no nosso protagonista em questão. Um abraço.