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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Analistas explicam elevada abstenção no segundo turno das eleições municipais

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o número de abstenções nesse domingo chegou a 18,11% do eleitorado - índice considerado alto pelo próprio Tribunal. No primeiro turno, a taxa de abstenção havia sido de 14,54%. O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, disse que o órgão vai analisar as causas do aumento das abstenções entre as duas rodadas do pleito.

Analistas políticos concordam que o percentual de brasileiros que deixou de votar é expressivo. Têm opiniões distintas no que diz respeito às causas da ausência nas cabines eleitorais.O cientista político David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília), atribui a alta à publicação de sondagens eleitorais. "As pesquisas 'já ganhou' às vezes desanimam as pessoas", diz. "Muita gente desanima de votar porque, ao ver o resultado do levantamento, acha que o Kassab já ganhou da Marta Suplicy, por exemplo".

Maria do Socorro Braga, docente da USP (Universidade de São Paulo), por sua vez, acredita que a população se abstém por não simpatizar com nenhuma das candidaturas. "Os eleitores não estão satisfeitos com nenhuma das alternativas disponíveis no segundo turno", explica.

O Maranhão foi o Estado com o maior índice de abstenção em todo o país, com 21,27%. O Rio de Janeiro ocupou o segundo lugar, com 20,02% do eleitorado deixando de votar.

Entre as capitais, Manaus registrou o menor percentual, com 15,67%, seguido por Macapá (16,68%), São Paulo (17,54%), Belo Horizonte (17,78%), Porto Alegre (17,78%), Florianópolis (17,85%), Cuiabá (18,93%), Belém (19,65%) e Salvador (19,73%).

"Em cidades onde há disputas muito acirradas é de se esperar que a abstenção seja menor que no primeiro turno. Mas não foi isso o que aconteceu", observa Fleischer, da UnB. "Seria um exercício interessante imaginar que a abstenção fosse menor (se houvesse maior polarização entre os candidatos)".

Para Maria do Socorro, o aumento no número de abstenções também é reflexo da falta de renovação na política brasileira. "Nesses dois Estados (Rio de Janeiro e Maranhão), por exemplo, normalmente são famílias que acabam controlando a política durante muito tempo. E a população sabe disso", explica. "No Brasil há uma dificuldade em se renovar os quadros políticos e forjar lideranças nacionais."

Índices elevados de abstenção podem decorrer de diversos fatores que impedem o eleitor de votar, inclusive de fatores climáticos, mas creio que o principal motivo é a apatia, o desinteresse, a falta de consciência cívica e, ainda, o desencanto com a política e os políticos. Também concorre para aumentar os números da abstenção a irrisória multa a ser paga à Justiça Eleitoral para a regularização da situação. Tem gente que acha bem mais fácil pagar multa do que votar...

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