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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

No Dia do Professor...

Hoje é o Dia do Professor. Um grande dia, como deveriam ser todos os dias - homenagens constantes àqueles mestres que nos deram o lume inicial para a carreira da vida. Hoje, lendo a ZH, encontrei uma bela homenagem da psicanalista Diana Corso à sua professorinha Simone que a preparou para gostar de escrever e enfrentar a pressão atual de entregar sua produção textual na hora determinada. Quem escreve sabe como é difícil produzir com horário para entregar o texto... E o resultado tem que ser bom, fantástico, maravilhoso, senão ficamos auto-decepcionados!
Já escrevi muitos textos em homenagem aos professores, lembrando meus mestres, muito queridos e de excelentes lembranças - Irmã Antônia, que me alfabetizou; Ayda Bochi Brum, que me preparou para o exame de admissão ao ginásio; Noemy Zamperetti e Maria Izone Oliveira, mestras na arte da Geografia e da História; Edwino Degen (Medianeira), Edgar Klöckner e Amanda Scherer (UFSM), meus professores de Francês; Lígia Militz da Costa, Maria Luiza Ritzel Remédios e Leila Agne Ritzel, minhas professoras de Literatura no curso de Letras...
Bem, vamos ao texto que enseja essa pequena homenagem:

Professora Simone
"O nome dela era Simone, professora de Português. Ela não me tinha em grande conta, eu a achava poderosa. Entre nós houve apenas um momento marcante: certa ocasião, envergonhada de ser tão sonsa, fingi que havia colado. Fingi para mim mesma, já que o nervosismo da pretensão de transgredir me enevoava a visão e, de fato, não consegui enxergar nada na prova da colega. Se o feito não tinha sido grande coisa, pelo menos tentei fazer valer a intenção, contando vantagem entre meus colegas na saída da prova. Não é preciso dizer que a professora ouviu e tomou as medidas que lhe cabiam. Início e fim de minha incipiente carreira criminal. Conto isso para que não se julgue que se tratava de relação de mútuo afeto ou camaradagem que recubra ou mascare o caráter simplesmente pedagógico do que se segue.
Durante aquele ano do primeiro grau do Grupo Escolar Daltro Filho, a professora Simone determinou que escrevêssemos uma composição (era assim que denominávamos as redações) por dia, logo, sete por semana. A cada segunda-feira, reunidos em pequenos grupos, escolhíamos as menos piores para serem lidas para o resto da classe. Obviamente, eu escrevia as sete no domingo à noite. Fora a vergonha de falar em público, o que lembro mesmo é da labuta de inventar assuntos variados e transformá-los em pequenos textos, misturada à tristeza de domingo. A música do Fantástico anunciava o fim dos tempos e eu ainda tinha que ter sete boas idéias. Nunca duvidei nem duvidarei que a pressão ativa a criatividade. Enfrento aqui, há sete anos, o dilema da pauta em aberto com menos medo, graças àquela experiência. Ainda escrevo aos domingos.
Simone não era a Professora Maluquinha alfabetizadora sensível do livro de Ziraldo, nem eu era uma aluna bacana de quem ela fosse lembrar. Inesquecível foi o desafio que ela orquestrou em nós. Vivências escolares definem destinos, professores tatuam com suas idéias, atitudes, propostas, atividades. São os pais que precisam prover a formação moral, as bases emocionais, mas são os professores os primeiros guias de viagem. É na escola que vamos lapidar a pedra bruta que trazemos de casa.
Em nosso país, entra e sai governo e o Ensino Fundamental jamais é considerado tal, que dirá os que se seguem. Nas escolas públicas, os professores lutam contra todo tipo de miséria, inclusive a do seu salário; nas privadas, contra a tirania dos clientes. Quadro triste, mas não irremediável. Pelo menos, hoje, Dia do Professor, gostaria de fazer algo que nunca tive oportunidade: agradecer à professora Simone."
Flores, flores, flores, para todos os bons professores...

2 comentários:

Maristani Zamperetti disse...

Olá Nívia,
só agora entrei em contato com os teus escritos. Achei legal lembrares dos professores, alguns conheci, como a minha mãe, Noemy, professora de Geografia. Viagem no tempo... Abçs, Maristani

Maristani Zamperetti disse...

Olá Nívia,
só agora entrei em contato com os teus escritos. Achei legal lembrares dos professores, alguns conheci, como a minha mãe, Noemy, professora de Geografia. Viagem no tempo... Abçs, Maristani