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terça-feira, 8 de julho de 2008

A palavra necessária

A palavra necessária é rara. E real o seu esplendor.
A palavra necessária é essencial porque única e unívoca em significante e significado.
Necessária é a palavra de conforto. A palavra de carinho. A palavra de solidariedade. Na medida e na hora certas. Morno alento para quem é sedento. Da palavra necessária.
Necessária também é a palavra dura. Severa. Áspera. Necessária para corrigir, recuperar, reencaminhar quem dela precisa e não sabe. Da palavra necessária. Dita com frio talento, se torna implemento para a retomada do fio.

A palavra necessária é composta de luz essencial. Clara, translúcida de sons e imagens e cores e valores imprescindíveis à vida.
Palavra às vezes morna às vezes fria mas duplamente necessária. Para autor e interlocutor.
Uma pergunta que não cala. Por que é tão rara a palavra necessária?
Por que é tão difícil de entoar a palavra necessária?
Falta vontade?
Falta coragem?
Ou já se acha descartável a palavra necessária?
Não. Criticamente analisando, a palavra necessária é vida válida. Vislumbre do por-vir. Horizonte.
Inválida é a omissão. O não-falar que invalida nossa vida, que a torna bruma, não brisa. Opaca, não lisa. Escura, não pura.

A palavra necessária é rio em desafio constante de seguir em frente, de encontrar gente.
A palavra necessária abomina o limitante. É cria-ativa. Magia polissêmica da linguagem universal, ordenada, harmônica, simbiótica, mística. Muito mais do que poema simétrico. Rítmico.

Muito mais do que rito. Real rima do eu que com o tu nos torna um só.

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