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domingo, 27 de julho de 2008

As pontes de Obama

Barack Obama, candidato favorito na corrida à Casa Branca, encarna o triunfo do improvável – negro, descendente de africanos muçulmanos, tem diplomas de Columbia e Harvard – conseguiu vencer Hillary Clinton nas primárias do Partido Democrata, com um discurso de união e superação conjunta das dificuldades. “We can” é mais do que uma frase de marketing utilizada como bordão, pelo candidato. “Nós podemos” significa a possibilidade real de mudança e os americanos eleitores de Obama parecem acreditar nela. Quando novembro chegar, saberemos.

Na semana passada, Obama visitou a Alemanha e falou para uma platéia estimada em 200 mil pessoas, em Berlim. No discurso, construiu analogias em torno das ruínas do Muro de Berlim, referindo-se ao fantasma dos muros da pós-modernidade. Muros de todas as espécies - entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos e muçulmanos e judeus – mencionando que essas paredes que não podem continuar existindo. O candidato, sensatamente, disse que a hora é de construir pontes ao redor do mundo. Suas palavras chegaram numa hora emblemática, em que a Europa trata de construir novos muros de exclusão e burocracia, para impedir a entrada dos refugiados do subdesenvolvimento – hordas de imigrantes vindos do terceiro mundo, em busca de trabalho e sobrevivência. Nada muito diferente do que faz os Estados Unidos atualmente, na era Bush, construindo um monumental paredão para impedir a imigração a partir do México.

Numa época em que os governos das nações desenvolvidas tentam resolver os problemas sociais erigindo muros, aparece uma nova liderança propondo a construção de pontes... Esperemos que não seja apenas mais um belo discurso.

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