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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Jornalismo e poder

Interessante artigo escreveu o ex-deputado Jarbas Lima no Correio do Povo de domingo, 08 de junho, sob o título de Jornalismo e poder. Reproduzo-o pela pertinência das observações, válidas para a reflexão de todos os profissionais da imprensa.
"É de se reconhecer a tentação a que são submetidos os detentores da faculdade de mobilizar a opinião pública, de se tornarem eles os sujeitos da realidade, e não meras testemunhas ou porta-vozes dessa realidade examinada. É mais fácil querer fazer política, em lugar de apenas noticiá-la, ou criar os fatos, em lugar de apenas registrá-los ou comentá-los. Dessa tentação não estão livres as empresas de comunicação, os profissionais que atuam nos afazeres jornalísticos. Poder-se-ia dizer que faz parte da natureza humana aspirar a esse tipo de poder. Para enfrentar isso, é preciso não apenas uma aperfeiçoada consciência do que significa a função jornalística, mas uma noção cada vez mais adequada à realidade da imprensa, como um todo, no universo da democracia. Isso implica, também, um certo refreamento ao esprit de corps que permeia tanto as empresas de comunicação isoladamente como a imprensa.
Para êxito de uma empresa de comunicação, como qualquer outro negócio, é preciso competência, tirocínio e confiabilidade no produto que oferece. Só que essa confiabilidade, no caso da imprensa, é feita de diversos componentes, que vão desde a linha editorial ou de programação, que deve ser coerente e perpassar todas as manifestações do produto, até a administração diária de um valor pouco objetivo, mas essencial no metier, que é a verdade. O que o público deseja do seu jornal, da sua emissora de rádio e de TV é a feição verdadeira de como e do porquê as coisas acontecem, de como o mundo, afinal, é feito. Essa verdade não é apenas uma adequação entre noticiário e os fatos do dia: é a adequação dos produtos todos às aspirações da comunidade; é a formação com padrões éticos seguidos ou desejados; é, enfim, uma construção árdua, cotidiana e interminável de credibilidade e que presume sensibilidade também.
Assim como é impossível abarcar toda a riqueza dessa temática, também não é possível concluir por regras firmes no sentido de ampliar os aspectos positivos ou diminuir os negativos das realidades observadas. Não existem fórmulas feitas para isso. Existem sim, forças sociais que agem e interagem no sentido do aperfeiçoamento coletivo, para o que apenas dois elementos devem ser inegociáveis e inalteráveis: Uma imprensa livre numa sociedade democrática."

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