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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Como sobreviver a um escândalo*

Dick Morris, assessor de propaganda na campanha de reeleição do presidente Clinton, em seu livro O Novo Príncipe (edições em inglês e espanhol), destacou o capítulo denominado Como sobreviver a um escândalo, para tratar dos escândalos com governos e políticos. Lembra que, quando abre um escândalo, o repórter (a polícia ou o MP) que o descreve, tem munição guardada para os próximos dias e os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para produzir, a cada dia, uma nova revelação;

Ou seja, de nada adianta querer suturar o escândalo com uma contra-informação no nascedouro da notícia, no veículo que a publicou, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa. Sem esquecer que outros veículos entram para concorrer com fatos novos;

Diz Morris, que a força de um escândalo é sua importância política, ou seja, quanto está vinculado às decisões de governo. E sublinha: Não há maneira de ganhar na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é dizer a verdade, agüentar o tranco e avançar;

A chave, para Morris, é não mentir. Para ele, o dano de mentir é mortal. Uma mentira leva à outra, e o que era uma incomodidade se aproxima da obstrução criminal da Justiça. Morris diz que é sempre bom olhar e pesquisar bem a reação final do público em relação ao acusado. Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que dizem que você fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa. Em outros tipos de escândalo, os eleitores se mostram menos intransigentes, mais suaves e compreensíveis, especialmente com escândalos ligados a sexo e drogas.

Da leitura do O Novo Príncipe, uma conclusão se pode tirar: ou em escândalos de forte intensidade o político nada tem a ver ou o jogo está perdido. E se for um escândalo presidencial que afaste inteiramente do governo e sua convivência os responsáveis por traição de confiança (como aliás, espertamente, Lula o tem feito). Caso contrário terá perdido a batalha política. Mas quando os escândalos não são governamentais, e têm farta repercussão, a probabilidade de ter perdido a batalha é muito grande.
*Do ex-blog do César Maia

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