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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pérolas

Em época de CPI's intermináveis, que pouco investigam porque não há interesse em descobrir a verdade ou a tramóia é tanta que não há como aclarar os acontecimentos, os investigados nem se dão ao trabalho de preparar uma defesa convincente, tão certos estão da impunidade. Assim, vamos acumulando uma coleção de pérolas nas respostas que são dadas durante as sessões que, além de ferirem o vernáculo e a nossa capacidade de raciocínio lógico, atingem profundamente todos os cidadãos brasileiros, pelo cinismo e deslavada cara-de-pau dos depoentes.
Eis algumas preciosidades:

Não tenho memória nem consciência de ter mandado o dossiê para André.
(José Aparecido Nunes, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil da presidência da República, em depoimento, ontem, na CPI do Cartão Corporativo).

Eu não pedi dinheiro nenhum. Eu peguei o dinheiro e guardei.
(Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, filmado recebendo de um empresário propina de R$ 3 mil.)
Minha assessora esteve no Brasília Shopping para ir ao neurologista.
(Ex-deputado Paulo Rocha, do PT paraense, ao justificar saques de R$ 620 mil das contas do publicitário Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão, feitos por uma assessora dele na agência do Banco Rural, no Brasília Shopping. Na época, Rocha renunciou ao mandato para escapar da cassação. Foi reeleito.)

Tenho certeza absoluta de que não existe esse cheque, a não ser que ele seja um artista muito grande e que tenha produzido esse cheque.
(Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados, dois dias antes de aparecer o cheque no valor de R$ 7,5 mil com o qual o empresário Sebastião Buani pagou o cartão de crédito dele. Severino renunciou ao mandato. Tentou se reeleger e não conseguiu. Lula disse recentemente que ele foi uma vítima das elites.)

Tinha tomado umas caninhas. Minha capacidade de discernimento estava baixa.
(Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci, ao negar entrevista que deu à VEJA sobre dólares cubanos escoltados por ele e entregues a Delúbio Soares para a campanha de Lula.)

Não o conheço. Estive com ele duas vezes e o cumprimentei sem saber quem era.
(Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, sobre Vladimir Poleto, que dirigiu mais de uma vez o carro que o levou à alegre mansão alugada em Brasília pela turma da República de Ribeirão - ex-assessores de Palocci na prefeitura daquela cidade.)

Sobre essa entrevista, eu não sei mais onde está a verdade. Não sei o que é verdade no que falei. Não sei mais de onde tirei isso.
(Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, a respeito da entrevista gravada de oito horas que concedeu ao jornal O Globo.)
Ao que eu saiba, não sei.
(Vladimir Poletto, ex-assessor do ex-ministro Antônio Palocci, em depoimento na CPI dos Correios.)
Eu não sabia, fui traído.
(presidente Lula, sobre o mensalão.)

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