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sábado, 19 de abril de 2008

Violência contra crianças

Tenho acompanhado todos os desdobramentos das investigações do assassinato de Isabella Nardoni através de jornais e da TV. A mídia abraçou o caso pela sua crueldade e, com certeza, por ter acontecido no seio de uma família de posses. Senão seria apenas mais uma notícia, logo esquecida em meio à crescente escalada da violência cometida diariamente contra menores, em todo mundo. Procurei algumas opiniões que refletissem análise um pouco mais abrangente sobre o caso. Encontrei-as nos articulistas da Folha de São Paulo - Gilberto Dimenstein, Hélio Schwartsman e Eliane Catanhêde. É desta última o texto mais emblemático. Leiam e reflitam.

Culpa e responsabilidade
Eliane Catanhêde
A imprensa está fazendo um carnaval com a morte da pequena Isabella. Algumas vezes, me envergonho. Outras, me convenço de que não é só um dado da realidade, mas também um mal necessário. Um choque, uma necessidade de reflexão coletiva.

Por que a vergonha? Porque fica a sensação de que Isabella continua sendo asfixiada, maltratada, humilhada e finalmente jogada do sexto andar todos os dias, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Uma vítima sem fim. E tão indefesa. É como se aquelas câmeras e microfones invadissem a sua alma, roubando um pouco da dor da nossa menina para distribuir e animar a torcida.
E por que, apesar disso, a impressão de que há algo de positivo nessa voracidade da mídia? Porque os relatos do calvário de Isabella, sempre acompanhados de fotos tão enternecedoras, servem como um alerta geral. Um alerta para que todos nós tenhamos mais paciência, mais compreensão e sobretudo mais cuidado com os nossos pequeninos e não aconteçam tantas Isabellas por aí. Quantas vezes a própria Isabella já tinha sido vilipendiada? E quantas milhares de crianças são maltratadas todo santo dia, sem que nem ao menos o pai, a mãe ou ambos fiquem sabendo? (Quando não são eles mesmos os algozes...)

Criança, toda criança, uma vez ou outra pode ser irritante, mesmo aquela que você mais ama no mundo. Fica cansada, com fome, doentinha, com calor, com frio... É preciso paciência.

Aquela mãe/madrasta/professora/babá que vive mal-humorada, raiando à agressividade doentia, põe-se de alerta ao se confrontar com a história de Isabella. Aquele pai/padrasto/professor que deixa pra lá quando a companheira maltrata seu filho, porque não quer se aborrecer, não quer ter problema, fica mais esperto. Aqueles pais que liberam seus filhos para dormir em casa alheia, mesmo que de ex-cônjuges, sem investigar direito para onde estão mandando as crianças, começam a se preocupar.
E é preciso saber com quem estamos deixando as crianças. Na nossa (atenção ao plural e, portanto, ao mea culpa...) correria, em múltiplas funções de pais, profissionais, estudantes, viajantes, leitores, dedicamos muito pouco tempo às nossas crianças. Mas o pior não é a falta de tempo, é a de cuidado. Se nos falta tempo e cuidado, os nossos seres mais queridos e mais desprotegidos podem estar sendo, literalmente, entregues às feras.

Há que se resistir, porém, a uma vaga onda, que perpassa as conversas na academia, no barzinho, no elevador, contra padrastos e madrastas, como se todo o mal estivesse aí. Já há até registros informais de psicólogas e professoras, por exemplo, de aumento de procura e de temores em relação a eles.
Seria irreal pedir menos ímpeto da imprensa e o fim da monumental curiosidade mórbida da sociedade que, aliás, andam sempre juntos. Então, o mínimo que se pode esperar é que vasculhar toda a história e seus resultados seja para o bem, não para o mal.
O "caso Isabella" é um drama familiar. Mas bate fundo nos medos e nos dragões que devoram o equilíbrio individual e instigam reações coletivas.

Um comentário:

Catarino disse...

Olá, estou visitando blogs para saber o que estão fazendo.
Gostaria de convidar que visite meu blog e, se gostar, vote no blogstar.
Usei o forma de comentário, pois não encontrei caixa de recados.
Tenha um ótimo feriadão.