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sábado, 19 de abril de 2008

A tragédia na TV

A lógica trata da reversão de pautas e prioridades pela audiência inesperada.

A ética trata dos limites da lógica que devem ser impostos pela condição humana.

O trágico caso Isabella está fazendo a felicidade dos telejornais no Brasil. A audiência dos programas cresceu em 46% na primeira quinzena deste mês em relação ao mesmo período de março.

Foi o caso do Brasil Urgente (Band). Outro jornal sensacionalista, o Balanço Geral, da Record, cresceu 25%. No dia 16, o Jornal da Band (crescimento de 24%) atingiu sua melhor média no ano: 7,5 pontos. O Jornal Nacional e o Jornal da Record aumentaram seus públicos em 9%. O JN saltou de 31,4 para 34,2 pontos. Atribuem-se, também, ao caso Isabella, as consecutivas lideranças da Record no período matutino. Ontem, o SP TV - 1ª Edição, dedicou mais de meia hora à história. No estúdio, os apresentadores entrevistavam o repórter Walmir Salário, numa tática que lembra a Rede TV! No Jornal Nacional, a cobertura chegou a ocupar 15 minutos e 20 segundos, na edição da última terça, o equivalente a 37% do telejornal. Naquele dia, a emissora teve acesso ao inquérito. Anteontem, o Balanço Geral, da Record, tinha em seu cenário uma cama, como se fosse a de Isabella. O apresentador manchava roupas com tinta vermelha e depois as lavava, para mostrar como age um produto usado por peritos para descobrir sangue. Já o Fala que Eu Te Escuto, da Igreja Universal, “reconstituiu” o crime com atores...

Ontem, com novos depoimentos do pai e da madrasta da menina, os canais de TV passaram o dia inteiro em função do caso, mostrando a comoção pública que o fato gerou. Os dois agora estão indiciados, pela vasta prova acumulada através dos laudos periciais.

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