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sábado, 26 de abril de 2008

Como vencer o sofrimento por perda

A psicóloga Adriana Silveira Cogo* publica excelente artigo no espaço Idéias do Caderno MIX, encartado no Diário de Santa Maria deste sábado, denominado A dor do adeus, onde analisa o sofrimento pela perda de pessoas queridas e seus refexos nos níveis físico, emocional, social e espiritual.

Algumas passagens interessantes do artigo:

A principal ruptura que acontece na vida de alguém não está sozinha: vem acompanhada da necessidade de um ajustamento, tanto no modo de olhar o mundo, como nos planos para se viver nele. É assim após a morte de uma pessoa querida. A reação a esta perda, nos níveis físico, emocional, social e espiritual é variável e depende das circunstâncias que rodeiam a morte: tipo de relacionamento entre a pessoa que morreu e quem está de luto, a rede de apoio, a força que a pessoa tem e a qualidade de seus mecanismos de defesa.

A dor do sofrimento é o custo do compromisso, ou seja, preço que pagamos por nos envolver...Quando escolhemos alguém para algum tipo de relacionamento, desde já corremos o risco de sofrer, pois chegará, inevitavelmente, a hora em que teremos adeus... e deixar partir. É quando o sofrimento começa. E isso é a situação mais natural da vida. Assim como se leva tempo para amar, também leva tempo para deixar partir.

Dizem que o tempo cura, mas na verdade, o tempo por si só não cura: E o que fazer com o tempo para que ele se torne fonte de cura? Dar tempo ao tempo para aceitar a morte. Essa é uma condição necessária para continuarmos a viver. Não haverá melhora até enfrentarmos a morte, face a face....

Luto é uma reação normal a um rompimento de vínculo. é um processo pelo qual passa o indivíduo que perdeu alguém por morte, separação, condição normal de saúde física (com amputações normais no corpo humano), ou ainda, que perdeu algo importante, seja uma mudança de cidade, de casa, de país, pela aposentadoria.

Luto é como a ferida que precisa de atenção para ser curada, sendo que esse processo leva a algumas mudanças psicológicas, como reconhecer e aceitar a nova realidade. Essas mudanças levam tempo e trazem uma crise, que pode ser transformadora, desde que a desorganização que o indivíduo passa a sentir seja trabalhada e encaminhada para uma reorganização, em um padrão de comportamento diferente do anterior à perda, afinal, nada volta a ser como era antes.

*A santiaguense Adriana Silveira Cogo é psicóloga, graduada pela Unifra, especialista em Luto pelo Instituto Quatro Estações-SP e mestranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP.

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