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sábado, 19 de abril de 2008

Quando o valor não é reconhecido


Mesmo que a população de idosos cresça a cada ano, o Brasil já não tem olhos para os seus velhos. Assim, causou surpresa que, na semana passada, o Senado tenha aprovado dois projetos de lei beneficiando os aposentados. Ambos de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).

Mais surpreendente foi a reação do governo. O presidente Lula mandou erguer barricadas na Câmara contra as duas propostas. Uma estende aos velhos pendurados na Previdência os reajustes do salário mínimo. Outro acaba com o fator previdenciário, concebido no governo Fernando Henrique, com o propósito de puxar pra baixo os benefícios, na hora da aposentadoria.

Irresponsabilidade, disse, já na primeira hora, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). São projetos que não têm a mínima chance de serem colocados em prática, ecoa, agora, o ministro Luiz
Marinho (Previdência), ex-presidente da CUT.

O argumento de que falta caixa ao governo não é negligenciável. Ao contrário, é central. O divertido é perceber que o PT só tenha descoberto isso agora, assim, de súbito. No governo de Fernando Henrique Cardoso, o partido de Lula endossava de olhos fechados qualquer proposta que viesse de Paulo Paim. Fez vigília contra o fator previdenciário. Agora...

Resta a sensação de que, no Brasil, embriagado com tanta incoerência, o único velho que tem o seu valor reconhecido é o escocês de 12 anos. Ou de 18 anos. Ou de 21 anos. Com duas pedrinhas de gelo. Não é à toa que o brasileiro foge para a previdência...

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