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terça-feira, 15 de abril de 2008

Anúncio desastrado provoca tumulto mundial

Haroldo Lima, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), tornou-se celebridade mundial ao anunciar a suposta descoberta, pela Petrobras, de um novo mega-campo petrolífero na Bacia de Santos. Um dia depois de eletrificar o noticiário e de sacudir as bolsas de São Paulo, Nova York, Madri e Londres, a “autoridade” deu de ombros para as críticas.

Haroldo Lima esteve, nesta terça-feira (15), na comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ali, indagado acerca da lambança da véspera, disse: Não fiz anúncio de nada. Eu sou autoridade, não sou subordinado à Comissão de Valores Mobiliários. Sou membro do governo e estava falando para um público especializado.

Depois, em entrevista, declarou que nem sabe onde fica a Bolsa de Valores. Esclareceu que apenas ecoara informações já veiculadas, em fevereiro, por uma publicação dos EUA, a revista World Oil.

Na manhã da véspera, em palestra na FGV, a lorota da “autoridade” era outra. O diretor da Agência Nacional de Petróleo mencionara informações recebidas, em caráter extra-oficial, de fonte da própria Petrobras. Só depois de ter sido desautorizado pela estatal é que Haroldo Lima pôs a
revista norte-americana na roda.

Haroldo Lima, um ex-deputado federal do PC do B da Bahia, foi indicado por Lula para ocupar a cadeira de diretor-geral da ANP. Referendado pelo Senado, ele tem mandato. Ou seja, não pode ser ejetado do posto, embora merecesse.

Assim, resta à platéia a opção de suportá-lo. Além de aguardar pela conclusão das pesquisas da Petrobras. Tem-se, por ora, apenas a previsão infalível da “autoridade”: pode ser que a estatal brasileira esteja na bica de enfiar suas perfuratrizes num manancial de óleo jamais visto na história desse país. Isso, evidentemente, na hipótese de as pesquisas não demonstrarem o contrário.

Os técnicos trabalham com muitos imprevisíveis. E, quando há imprevisíveis, é impossível prever. Mas Haroldo Lima, descobre-se agora, é uma “autoridade”. De Bolsa de Valores não entende nada. Seus conhecimentos petrolíferos ainda estão pendentes de confirmação. Mas sua autoridade no ramo da quiromancia já é inquestionável.

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